
sábado, 22 de agosto de 2009
O SANGUE DOS SONHOS

quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Em busca de coisas bonitas

quinta-feira, 9 de julho de 2009
À espera de uma verdade....
Desabitam-se as tuas feições
Sentes-te no fundo fundo onde nenhum braço chega
Acenas aos amigos, como náufrago a barcos indiferentes
Mas sabes bem que eles têm a sua rota e os seus horários
E aí estás tu, barata de costas, a esprenear, sem apoios
Choras para dentro humidades de gruta
Escondes a amargura em nevoeiros secretos
Não importa a indiferença dos outros
Haverá sempre quem goste e não goste de ti
Essencial é que nunca te desprezes
Diz-se que há duzentos milhões de doentes no mundo
Um dia farás parte desse número
É bom que comeces já a pensar que a doença ilumina o mistério do nosso futuro
Recorda-nos que somos daqui mas que não somos para aqui
A doença humilha-nos, situa-nos na verdade que somos e deixa-nos entregues nas mãos de Deus
Porque é que, tendo saúde teremos de ser altivos e opressores, quando iremos acabar como doentes, que pedem piedade e inspiram compaixão?
Porquê tanto egoísmo e orgulho, quando acabaremos entregues a quem caridosamente nos apoie e ajude?
Então, porque não reconhecemos agora e já cada momento de amor e felicidade?
Será essa recordação e vivência o único suporte da vida!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Alguém disse...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Velho De Alcântara Mar...

Domingo, 16 Março 2008 às 07:00
Eu estava a almoçar sozinho num restaurante, como tanto gosto de fazer, a meio do dia de trabalho. Detesto "almoços de trabalho", almoços de circunstância ou almoços de coisa alguma. Detesto almoçar os outros, resumindo. Prefiro almoçar a comida, acompanhada de uma revista ou de um jornal.
O restaurante era pouco mais que uma tasquinha de Alcântara, que tem a vantagem de ter uma comida caseira e sem pretensões e de não ser frequentado pela classe emergente dos almoços, com os telemóveis em cima da mesa, ao alcance de uma urgência, porque gente importante e ocupada é assim. Este restaurante, pelo contrário, é frequentado por uns clientes discretos, habituais e silenciosos, que vêm comer polvo cozido com todos e parecem cobertos por uma fina poeira de tristeza que os toma, de certa forma, íntimos. Íntimos, apesar do nosso mútuo silêncio, cúmplices na solidão das mesas, como marinheiros naufragados, cada um em sua ilha.
Gosto destes personagens lisboetas da hora de almoço, que comem sozinhos resmungando entre dentes, que compram lotaria, lêem os anúncios do Correio da Manhã e tratam as empregadas de mesa por "Menina isto" e "Menina aquilo". Imagino em cada um deles um Fernando Pessoa, órfão de obra e deserdado de sentimentos. São solitários e tristes, porém não são trôpegos mas dignos, de costas direitas e cara fechada olhando em frente, quando se levantam da mesa discretamente em direcção à porta, como se deslizassem em direcção à vida.
Um dia entrou um homem destes, que eu já tinha visto anteriormente. Era um cliente de bairro, um "vizinho" do restaurante — ocasionalmente almoça mas, regra geral, limita-se a chegar sobre o tarde, senta-se numa mesa em frente à porta com um jornal dobrado à frente, encomenda uma bica e fica a olhar para a rua, atento ao passar do tempo. Vê-se que é reformado porque não tem horário fixo nem pressa alguma. Não será viúvo mas apenas gasto, viverá num 3° esquerdo, indiferente às lamúrias da "patroa", sentado num sofá de costas para a janela para receber a luz para as palavras cruzadas do jornal.
Mas nesse dia o homem entrou no restaurante com um sorriso luminoso na cara. Parecia ter rejuvenescido dez anos, as costas estavam mais direitas, a roupa mais alisada, o cabelo penteado deveria cheirar a água de colónia Ach. Brito. Só percebi a razão da transformação quando o vi virar-se para trás na porta da entrada e estender a mão a um miúdo que o seguia: era o neto. Passeou o miúdo pelo restaurante como se apresentasse uma namorada rainha de beleza. De mão dada com ele, foi até ao balcão e sentou-o lá em cima para que todos os empregados o vissem, sorriu à volta e fez um gesto largo para o miúdo, indicando o mostruário onde repousavam a pescada para cozer ou fritar, o leitão frio ou quente da Mealhada e as costeletas de vitela para grelhar, e disse:
-"Então, escolhe lá o que queres almoçar".
Pediu mesa com toalha de pano, encostada à parede, de onde todos o pudessem ver e ele pudesse ver todos. Levou o neto ao colo até à mesa, sentou-o na cadeira, atou-lhe o guardanapo de pano ao pescoço e então o miúdo agarrou-lhe a cara de repente, puxou-o para si e deu-lhe um beijo. O velho sentou-se à frente dele e olhou em frente. Encontrou o meu olhar, que devorava a cena. Por um brevíssimo instante pareceu-me que ele tinha ficado suspenso da minha reacção, queria ser visto mas tinha medo. Inclinei a cabeça e cumprimentei-o em silêncio — foi a primeira vez que o cumprimentei. O seu olhar era líquido de ternura e firme de orgulho. Quando for velho, quero ser exactamente assim.
(Miguel Sousa Tavares)
(Texto extraído do livro “Não te deixarei morrer, David Crockett”)
'Este texto fez-me recuar trinta anos e recordar os almoços com a minha filha, numa tasquinha perto da travessa do Oleiro, onde era a escolinha dela. Digo escolinha porque era mesmo pequenina mas orientada por pessoas de coração Enorme, pessoas para quem o ensino não se limitava aos números.
Lembrei-me dessa tasquinha, onde o cenário era idêntico, com excepção da tristeza, essa não andava por ali. Os clientes eram discretos, habituais e silenciosos mas de cara franca e sorriso fácil. Almoçava-se a comida mas também se almoçava com os outros e eram as gargalhadas a propósito de tudo e de nada, provocadas pela alegria de uma criança que nos aproximava e nos tornava íntimos.
Gostava destes almoços, de comidinha caseira sem grandes pretensões mas preparada com muito carinho pela Dª Adriana que a certa altura saía da cozinha, para nos vir perguntar se a comida estava boa, ou se queríamos mais um bocadinho.
Gostava tanto destes almoços, que inventava mil e uma desculpas para fugir aos almoços de coisa alguma, os ditos almoços de trabalho, ou os almoços com colegas de trabalho, que não sendo a mesma coisa, eram semelhantes, falava-se sempre das mesmas coisas, ou seja, de coisa nenhuma…
Ainda hoje, gosto de restaurantes pequeninos ou tasquinhas, onde a comida me é servida com um sorriso franco e luminoso e me faz recordar…'
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Contrato
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A Busca Da Felicidade Ou Do Sofrimento...
(Fotografia de Ansel Adams)O Homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente. Estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria, excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos, voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas, fogem, como a água de Tântalo para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir, se tal acontecer, será num momento fugitivo que é a morte, tudo nela termina.
Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter na verdade mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte.
Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não, as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade...
(Albert Camus)
domingo, 17 de maio de 2009
tinha 24 anos e era o meu terceiro sonho a ser cumprido
Houve um dia em que sonhei
Acordei...
Mas não dormi
Outro dia não sonhei
Acordei...
Mas não vivi
Sonha pois meu filho sonha
Inventa asas à vida
Olha que a terra é medonha
Se é feita à nossa medida
Recria nas mãos calosas
Montes de amor e carinho
Só conheceu bem as rosas
Quem se picou num espinho
Vê como fica tão bem
O cardo ao ramo que o tem
O cardo também é flor
Se é tratado com amor
Não é pois vedado amar
Nem é pecado sonhar
Diz às guerras para pararem
Diz aos homens para se amarem
Convida o cardo a sorrir
E a inventar-se para ti
e ri Francisco ri
Porque o sonho e o amor
Viram em ti uma flor.
sábado, 9 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Recomeçar

A espreitar a vida detrás das árvores.
Como se de grades de uma prisão se tratasse.
Às vezes parece que tudo nos está fora do alcance
Respirar fundo, dar tempo
Recomeçar mais uma vez!
Li algures que a coragem não está em tentar não cair, está em não ficar no chão.
É isso!!!!
Vou procurar as pedras necessárias para reconstruir outra vez a minha muralha.
Em tempos alguém me chamou ostra.
O curioso é que muitas vezes é quando ainda o conhecimento da vida é pouco o instinto de auto-protecção nos dá mecanismos de defesa. Mais tarde descuidamos essa protecção, porque achamos que já não precisamos e...
Tenho saudades dos tempos em que me sentia protegida pela concha.
Mas na falta da dita concha, levanta-se outra muralha.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Montanha Russa
sábado, 25 de abril de 2009
Há viagens inesquecíveis

quarta-feira, 22 de abril de 2009
Conto de ninguém

Ao longo do dia as nuvens começaram a juntar-se. Mais tarde, o cinza chumbo pintou o céu e já ao cair da noite chegou aquela brisa morna e abafada que antecede as trovoadas do "quase" Maio, logo de seguida, aquele cheiro doce a terra molhada.
O apelo de olhar a tempestade era-lhe irresistível.
Colou a cara às vidraças da janela, mas não lhe chegava. Abriu a janela e ficou ali com o pensamento a vaguear.
A trovoada de Primavera, agora estava mesmo em cima, e uns a seguir aos outros, os relâmpagos e respectivos trovões, faziam estremecer os vidros da janela a sorrir pensou:
- Ainda bem que não sou uma gaulesa da aldeia do Astérix, senão, acharia que o céu me iria cair na cabeça!!!!
Porque seria que o que tanto intimidava a maioria dos seres vivos lhe provocava aquela serenidade? Talvez, porque apesar de tudo, estava protegida no conforto da sua casa? A sua tia Maria Júlia disse-lhe um dia que nunca se tinha deixado orientalizar, apesar de ter vivido os seus últimos 40 anos num país oriental, mas que tinha aprendido com o povo oriental a não se amargurar com o que não dependia dela ou que ela não podia resolver.
As trovoadas não dependem de nós nem as conseguimos dominar, todos os seres vivos se limitam a procurar abrigo quando ela chega e ficam quietos à espera que ela passe, mais ou menos tranquilos, conforme a sua capacidade de saber que passa ou de se sentirem protegidos.
Procurar abrigo é instintivo, mas quantas vezes nos deliciamos, por exemplo, num banho de mar e de repente vem uma onda que nos enrola e atira contra a areia da praia, deixando-nos desorientados? Que fazemos? Tentamos levantar-nos e procuramos um ponto de orientação
Também assim são as tempestades da vida, as vagas da vida e o cheiro da saudade. E vamos deixar de viver? Não vamos sair nunca dos abrigos? Vamos deixar de sonhar? De ter ilusões e ideais?
Lembrou-se de Quixote
Ridículo aquele Quixote, aos olhos da sociedade.
Sim! Sim!
Mas quantas olham a feia Aldonza de Lorenzo, enciumadas, porque nunca foram a Dulcinea del Toboso, de ninguém, nem mesmo de um alucinado Quixote.
Quantos Chanso Pança se rojam aos pés de Quixotes lunáticos só porque a sua mediocridade não lhes dá a capacidade de largarem o burro e passarem para um cavalo, até mesmo que este seja uma pileca?
Além disso que mal haverá vestir de vez em quando a armadura do Quixote e ir por aí combater gigantes? São apenas velas de um moinho movidas a ventos? Talvez. O vento não se vê mas existe e ainda bem, porque se para uns quando enfola as velas e as fazem rodar e assim moerem o trigo que alimenta; para outros são gigantes que bradam contra ideais e motiva a bravura para os combaterem. Se para uns apenas o usam para dizer amo-te, a outros aquece-lhes a alma porque lho disse.
Não! Não iria nunca achar-se ridícula porque às vezes se permitia ser Quixote, conseguir encontrar o belo no meio do feio, descobrir a coragem para lutar contra gigantes e até de ouvir o vento dizer-lhe “amo-te”, mesmo que depois tivesse que assumir que o feio é feio, os gigantes são velas de moinhos e o vento não fala.
De repente tudo ficou quieto, começaram-se a ouvir os pios de passaritos que cantam à noite e apareceram umas estrelinhas aqui outras acolá tímidas mas cintilantes. Fechou a janela e foi-se aninhar no seu espaço vazio. Vazio, mas era o dela. Vazio, mas cheio de sentimentos e emoções que lhe decoravam a alma e essa não estava vazia!!!!! Achava que finalmente conseguia ficar serena perante o que não dependia dela ou não podia controlar.
A Eterna Companhia...

Era uma vez um homem que não gostava nada da sua sombra e era tão infeliz com os seus próprios passos que resolveu deixá-los para trás. Disse a si mesmo:
- Vou simplesmente fugir deles.
Então, levantou-se e começou a correr!
Mas toda a vez que dava um passo, a sombra seguia-o sem nenhum esforço. Voltou a dizer para si mesmo:
- Preciso correr mais depressa.
Então, correu, correu…
Correu cada vez mais rápido, até cair morto.
Se tivesse simplesmente procurado a sombra de uma árvore, ter-se-ia livrado da sua sombra. Mas ele não pensou nisso.
São poucos os que têm a ideia de simplesmente se sentarem à sombra de uma árvore. Preferem correr de si mesmos, por puro medo de se depararem com a própria sombra e de contemplar os lados menos agradáveis.
Loucos!...
Não percebem que quem corre da sua sombra nunca atinge a tranquilidade.
sábado, 11 de abril de 2009
Lembrando Amélia
terça-feira, 24 de março de 2009
Li-me

segunda-feira, 23 de março de 2009
Ouvir-me!!!!

sábado, 21 de março de 2009
PAUSA PARA UM CAFÉ (cont)

Bem no meio daquele espaço de paredes e tecto de vidros transparentes especiais que deixam ver de dentro para fora mas nunca de fora para dentro, que afinal não era mais que a alma dela, ela viajou pelos caminhos das emoções e dos sentimentos.
-Nunca mais lhe perguntarei «O que tanto procuras...?»
- E porquê?
- Porque sei que encontraste! Tens me dito aos poucos.Talvez, tu ainda não saibas!
Talvez, ela também não lhe saiba explicar, mas ela sabe o que ele procura e principalmente compreende porque procura.
Haverá uma só palavra no dicionário que possa ser usada para explicar?
Quantas vezes também ela suspirou pelo seu espaço? Pelo seu jardim proibido, onde só entrasse quem ela quisesse e principalmente quando e enquanto ela quisesse.
Mas, como tudo, até esta necessidade de espaço, tem o outro lado da moeda. E aquele sentimento de culpa horrível que se tem porque se quer ter um jardim proibido e se acha que estamos a excluir dele pessoas que amamos?
Aí vêm os compromissos passados e presentes que nos enchem as entradas do nosso jardim proíbido.
Aí vem o medo dos compromissos futuros. Se ainda não resolvemos os anteriores vamos arranjar mais?
SOCORRO!!!!! Quero o meu espaço!!!!
Quero um espaço onde possa tirar as máscaras do dia a dia.
Onde possa rir e chorar sem ter de me justificar.
Onde possa fazer amor só porque naquele momento amo.
Onde possa ouvir a música que me apetece mas onde também possa ouvir o silêncio sem ter de explicar porque oiço esta ou aquela música ou porque se está calada.
Onde possa por o sofá amarelo sobre o tapete vermelho, mesmo que seja de um mau gosto aberrante ou então onde apenas haja almofadas no chão para sentar, só porque sim.
Onde faça festas divertidas porque precisamos de amigos.
Onde possa ler o tal livro sem olhar para o relógio.
Onde possa dar pulos, gatinhar ou rebolar sem que olhem para nós com ar de " coitada! endoideceu".
Onde possa espalhar os papéis do trabalho pelo chão sem ter que os apanhar antes de ir embora, porque quando regressarmos estão todos lá onde os deixámos.
Porquê?
Afinal não queremos pôr de parte os outros. Queremos estar lá, junto de quem gostamos, sempre que precisem de nós. Queremos dar o ombro na mesma, queremos rir e chorar com quem faz parte da nossa vida. Queremos estar inseridos no mundo real, no dia a dia.
Apenas queremos «espaço», o nosso espaço, para usarmos quando quisermos e com quem quisermos.
Até porque se os que fazem parte da nossa vida passada, presente e futura nos pedirem para nós compreendermos que também precisam do seu espaço, nós compreendemos e se preciso for, até ajudamos e incentivamos para que o tenham.
No fundo, já que, temos e precisamos de viver a vida com os outros apenas queremos também viver a vida com nós mesmos.
É bom amarmos e sermos amados, mas nesse amor também cabe o amor que sentimos por nós próprios.
quinta-feira, 12 de março de 2009
PAUSA PARA UM CAFÉ

sábado, 7 de março de 2009
A Ostra

sexta-feira, 6 de março de 2009
A Ostra

A Ostra

Perto e de repente soou um ronco de mota potente a estacionar, motas nunca a deixaram confortável (vá se lá saber porquê). O som fê-la abrir os olhos, era vermelha e o tamanho correspondia ao ronco.
Escondida por detrás dos óculos escuros, com a mesma sensação que o gato escondido com o rabo de fora devia ter, ficou a olhar a mota enquanto o dono saia dela.
Lentamente com ar de quem procurava ele levantou o descanso da mota com o pé e ainda com o capacete olhou para ela.
Caminhou em direcção a ela, com a insegurança de quem não tinha a certeza, e só quando chegou tirou o capacete.
Ela tirou os óculos e ficou a olhar para aquela pessoa que lhe tinha acabado de tapar o sol.
Ele abriu os braços e quase entre dentes disse-lhe:
- Se dúvidas tivesse, esses olhos são inesquecíveis!
Pegou na mão dela e levantando-a abraçou-a. Como um filme em câmara lenta, ficaram ali a balançarem-se com o capacete a fazer de pêndulo. Ela nada podia dizer porque ele repetia-lhe ao ouvido, vezes sem conta, como de um lamento se tratasse:
- Ostra! A minha ostra!!! Ostrinha!!!!!
Quando finalmente ele parou de lhe chamar ostra, ela afastou-o carinhosamente e olhando-o nos olhos riu e disse:
- OSTRA? Ainda bem que não te lembrei uma foca!!!!!!!
- Só tu ostrinha! Continuas com as tuas saídas estratégicas. É bom sinal, afinal ainda te reconheço nesse sentido de humor e nesses olhos que falam sempre mais que a tua boca, afinal ainda aí está tudo.
Entre gargalhadas, como miúdos de escola, sentaram-se, ele explicou:
- Durante todos estes anos, no meu imaginário tu foste a minha ostra...
- Ostra?????
- Sim! Os teus olhos eram o mar e tu uma concha com uma pérola linda dentro dela, assim que te tocava fechavas-te como uma ostra! Lembras? parece que te estou a ouvir, quando te abraçava e tu me dizias - Olha quem lá vem! é mentira! era só para tirares o braço! e depois rias que nem uma tonta. Eras o meu tesouro, que guardei, para nada! porque veio um bruto de um pirata que mo roubou! porquê? porque não te fechaste como fazias comigo? porque deixaste que ele .... se soubesses como me senti quando me disseram que tinhas casado... mas hoje vais dizer-me porquê? Depois só te tornei a ver no casamento do teu irmão, tu já com dois filhos pequenos e a única vez que trocámos o olhar havia uma tristeza nos teus olhos, que só me apeteceu perguntar-te ali mesmo porquê!!!!! tu nem me falaste... eu já não gostava dele mas passei a odiá-lo ... O estúpido em vez de ter feito uma joia com a pérola que me roubou, tinha escavacado a minha concha e ainda olhava para mim de lado com ar de vitória.
Ele tinha-lhe pegado na mão e esperava uma resposta que ela não tinha de momento
- Ok! Hora de saída estratégica - Pensou ela!!!!
- Bom dia também para ti! Olá! Como estás! Estás com bom aspecto. Que tens feito? Como se diz isto em linguagem de ostra?
Seguiram-se mais uma série de gargalhadas, ele chamou o empregado e pediu uma bica....
Cont...
segunda-feira, 2 de março de 2009
Amélia S. Tomé (IV)

Francisco aprendeu as primeiras letras com o feitor, na cartilha maternal. Onde as sílabas tinham cores diferentes, para se saber que as palavras, que podem fazer chorar ou fazer rir, são somas de nadas que não dizem nada – as sílabas.
Não aprendia depressa nem devagar, aprendia assim-assim. Enquanto num canto, Amélia não perdia nada e já sabia de cor “batem leve levemente, como quem chama por mim…”, e vinham-lhe as lágrimas aos olhos, enquanto Francisco ia transpirando ferrugento “mas às crianças Senhor, porque lhes dais tanta dor?”.
Só não sabia o que era a neve e o Francisco ainda não tinha perguntado ao feitor, mesmo quando pela décima vez se ia enganando “Fui ver. A leve caía do azul-cinzento do céu…”. Neve Francisco! Neve, emendava o feitor.
Neve pai. E o Francisco não perguntava da neve!
Uma vez perguntou ao Francisco, nas brincadeiras do quintal, sabes o que é a neve? Qual neve? A do batem leve. Não sei, mas não há em S. Tomé!
Perguntou ao feitor. Tio o que é a neve? E o feitor perdia os olhos no mar, a neve …a neve …
Ficou a saber que não havia em S. Tomé. Talvez houvesse longe, onde o céu abraça o mar. Onde se perdiam os olhos do feitor.
Depois veio a escola, na Cidade. E todas as manhãs ela e o Francisco num cavalo e o homem que trabalhava na pedra das calçadas, sempre calado, noutro. Que não havia assim perigo nenhum.
Tinha Amélia treze anos quando a senhora mandou que fosse só o Francisco. Depois dela saber da mãe e do lenço vermelho-sangue.
Francisco já ia sozinho à escola. Umas vezes de verdade, outras de mentira, nas tropelias da idade e de filho de feitor, com as filhas tenras da sanzala…
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Vida
Muitas vezes perguntamos a nós mesmos o que é a vida, e preocupa-nos o saber para que é a vida.Porque é muito triste estar numa sala de espera sem esperar nada. Viver porque se tem vida, mas sem fazer nada na vida, sem esperar nada da vida, sem dar um sentido à vida.
Uma vida inútil é uma morte prematura.
Quero viver de tal maneira que, quando morrer, não tenha vergonha de ter vivido, antes pelo contrário, que me sinta satisfeita de ter vivido e de ter vivido como vivi.
A vida não é prazer, a vida não é comodidade, a vida não é diversão, a vida não é turismo, a vida não é dinheiro, a vida não é conforto. A vida tem tudo isso, mas a vida não é isso.
A vida também não é dor, a vida não é lágrimas e pranto, a vida não é sofrimento e amargura, a vida não é problemas e angústicas. A vida tem tudo isso, mas a vida também não é exactamente isso.
A vida é cumprir, dar-se, ter uma missão, contribuir para o bem estar nosso e dos outros.
Isto é viver.
Não sei se consegui, pintainhos, mas foi sempre isto que tentei dizer-vos, sempre que ralhava com vôces e sempre que vos beijava e mimava.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Eu não sou de ninguém

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Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes
Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...
Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!
Florbela Espanca
sábado, 24 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
carta a um passado

Tinha de te responder
- - - - (que interessa o nome?)
Li, vi e ouvi
O que posso responder ao fim de tantos anos?
Certamente o mais sensato seria dizer que tens razão e não dizer mais nada...
Mas, quando a meio da música, que me enviaste, senti os olhos a ficarem meios enevoados, parei e recuei no tempo. Curiosamente de uma forma egoísta, pensei só em mim.
Concluí:
1º Nunca tive a noção exacta de como na altura era bonita como dizes, sempre me achei vulgar e até para o gordinho e meio feiosa
2º Até aos meus 30 anos, carreguei uma culpa inexplicável, difícil de outro alguém a entender e sempre achei que era infeliz porque tinha “posto o pé na poça” e tinha de pagar por isso
3º O ---- ----- (também não interessa o nome), que conheceste, gostava de mim e talvez ainda goste, mas da forma mais doentia e egoísta que alguém pode amar. Ele sabia que eu era demais para ele e com medo de me perder não só me diminuía publicamente quando podia, mas também, tentou sempre fazer com que eu pensasse que eu não merecia mais
4º Este mau sentimento foi perfeitamente abafado e suportável pelas minhas três maternidades que me preencheram e continuam a preencher todo o desamor que sentia por mim mesma (na altura)
5º Azar dos Távoras (o tal ---- -----), apesar de tudo, e sei que perfeita não sou, mas, Deus dotou-me de alguma inteligência
6º A partir do momento em que achei que merecia mais, fui construindo aos poucos as bases do meu futuro onde apenas eu e os meus filhos cabíamos, tinha descoberto à minha custa que não podia depender de forma nenhuma (emocional, sentimental, financeiramente. etc.etc.) de outro ou outros
7º Então subi a minha escada degrau a degrau, silenciosamente e sem deixar que dessem conta, para que não me atrapalhassem os planos que desenhei para mim mesma
8º Agora já para o “maduro”, encontrei a serenidade, a solidez mental, a noção dos meus defeitos mas também das minhas qualidades
9º Isso faz com que..... Goste muito de mim mesma...... Não me amargure com o passado, porque não o posso alterar, do passado, apenas me lembro das coisas boas e tenho saudades que me fazem sorrir.... Preocupo-me com o futuro q.b., melhor, tento preparar o futuro...... MAS ESPECIALMENTE quero viver e vivo o "Agora" da forma melhor que puder e sempre a tentar não magoar ninguém, porque sei o que é ser muito magoada.
10º Adoro rir, sorrir, desafinar no duche, fazer festinhas no gato, no cão........ Dar beijinhos a tudo e todos, como quando me conheceste
11ºAdoro e tenho orgulho de ser mulher
12º Tínhamos tudo para termos sido felizes!!!!! Tens a certeza? Eu não!!!
13º Que gostavas muito de mim!!!! Na altura não soubeste dizer-me
14º Que gostava de ti???? Acho que sim, talvez como a “cinderela” da música do Carlos Paião (aliás, médico como tu…. Será defeito dos médicos lembrar as primeiras namoradas ao fim de quase 40 anos?)
15º Hoje sei que gosto tanto de ti como quando tinha 14 anos
E FINALMENTE sei que sou uma mulher de 52 anos “BOA”, BONITA, INTELIGENTE mas que não preciso de o publicitar, basta-me ser só eu a saber!!!!
Assim sendo!!!!!!!
Meu primeiro amor
Vamos às Maurícias um dia destes e vamos dançar juntos a música que me mandaste, porque não?
Beijo desta tua tonta primeira paixão (tonta mas queridita)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
OS TEUS ANOS

OS TEUS ANOS
Era o dia dos teus anos
Tinhas nos lábios sorrisos longos
Advinhavam-se os planos
Dos teus sonhos.
Veio então o bolo e as velas
Para que tu as apagasses
Fechei a luz das janelas
Para que as iluminasses
Acendeste-as encantado.
E não te deixei soprar
Que os anos do meu amado
São todos para atear
Olhaste então para mim
E eu li nos olhos teus
Que me dizias que sim
Que os teus anos eram meus
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O caminho do vento

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Retrospectiva

Este ano que passou foi um ano apaixonante para mim, senti finalmente que a minha liberdade não era só no papel, eu era mesmo dona dos meus sentidos, sentimentos, acções e que me podia apaixonar, chorar, fazer o pino que ninguém tinha mesmo nada a ver com isso.
Apaixonei-me, senti que o meu coração estava vivo e desenterrado da escuridão da prisão em que vivia.
Apaixonei-me, senti vibrar todo o meu ser quando um sinal era emitido e descobri que o meu coração estava mais vivo e palpitante que um tambor.
Apaixonei-me e ... sofri quando percebi que o que me fazia vibrar eras tu e não podias ser, bolas, onde te foste meter coração ...
Ai sim, encontrei um coração que também palpitava como o meu, que também se entregava como eu, foi aí que eu percebi que o meu estava apaixonado e que precisava de um colete de forças para o segurar, o teu não sei, nunca me disseste o que lhe fizeste!
Com alguma dificuldade lá encontrei um colete e o segurei para não cair ,mas ele palpita sempre que te falo e palpitou mais hoje que te tive perto de mim. Bolas como estás cada vez mais bonito e charmoso! Mas não sofro, já não, pois os corações não tem dono que não sejamos nós próprios, são pássaros livres e assim devem permanecer.
O meu tem asas que já lhas vi, são brancas como as dos anjos e ele aí está pronto para voar, cada batedela no voo faz outros como ele, olhar, tantos eles são os que já perceberam que são livres para voar e amar.
Quando me cruzo com corações aprisionados vejo logo nos seus olhos. São olhares tristes de quem nem sonha em voar!
O POEMA QUE NÃO LESTE
o mundo não se afogou
com as lágrimas que derramei
nem a poesia morreu
quando degolei o poema
Agora
escondo-me entre as letras
antes de qualquer ponto final
num refugio desprendido
para assim poder ser
o apêndice do poema degolado
Porque
do poema que não leste
ficaram tatuadas na minha mão
letras de sangue
com elas pintei os lábios
Agora
escondida entre as palavras
com as rimas desenho sorrisos
e com o ponto final faço recticências
Ana (Dez.08)
domingo, 4 de janeiro de 2009
OLHO O NOSSO MAR
Olho a nossa praia, olho profundamente, continuo a olhar e sinto que tudo foi um pouco mais forte do que aquilo que não disse.
Na imensidão, no longo mar, o céu afunilou,salpicando a lua e desenhando na água a mensagem que deixei para ti.
E agora junto ao mar,aqui estou ...confio-lhe os meus segredos transformados em sonhos.
E são os meus sonhos que me tornam aquilo que sou…
De todo o lado ou de lado nenhum, fico sem ficar, escrevo sem escrever, penso sem pensar e vou indo sem ir porque nunca hei-de chegar...
Vou… Apenas fica a saudade do que não vivi
Não sou daqui, apenas celebro a passagem que é breve, essa que a tua consciência ainda não absorveu.
Sabes,passeamos no tempo e o que resta é tão pouco, os sabores apenas sustentam fatias de permanência.
Sinto-me entardecer no ladeamento dos sentidos,e hoje ao olhar este mar sei que mexeste no destino ,me mudaste a sorte,mas o mar azul ainda toma a minha alma e ainda continua a guardar os meus segredos.
E as ondas ao rebentarem será que sentem?
E que importa sentir se o sentir já não faz sentido!
Olha, eu já me esqueci de dizer essas coisas, porque não adianta sentir sem fazer sentido...
Sei que um dia quando me despedir do sol e do vento levarei os meus segredos,aqueles que falam de ti e que um dia desenhei neste mesmo mar.A sorte é que quem já morreu não sabe dizer o que ficou como segredo, esses segredos pertencem aos deuses e ao mar que os sabe tão bem guardar...
E agora depois da hora se ter tornado outra hora ,vou voltar para casa e deixar que as ondas deste mar rebolem nos segredos que lhe confiei...
Ana








