sexta-feira, 29 de maio de 2009

JUNTOS

Para os meus filhos
Porque para mim serão sempre os meus pequeninos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Busca Da Felicidade Ou Do Sofrimento...

(Fotografia de Ansel Adams)


O Homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente. Estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria, excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos, voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas, fogem, como a água de Tântalo para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir, se tal acontecer, será num momento fugitivo que é a morte, tudo nela termina.
Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter na verdade mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte.
Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não, as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade...
(Albert Camus)

domingo, 17 de maio de 2009

tinha 24 anos e era o meu terceiro sonho a ser cumprido

Para o Francisco no dia dos seus 28 anos




Houve um dia em que sonhei
Acordei...
Mas não dormi
Outro dia não sonhei
Acordei...
Mas não vivi
Sonha pois meu filho sonha
Inventa asas à vida
Olha que a terra é medonha
Se é feita à nossa medida
Recria nas mãos calosas
Montes de amor e carinho
Só conheceu bem as rosas
Quem se picou num espinho
Vê como fica tão bem
O cardo ao ramo que o tem
O cardo também é flor
Se é tratado com amor
Não é pois vedado amar
Nem é pecado sonhar
Diz às guerras para pararem
Diz aos homens para se amarem
Convida o cardo a sorrir
E a inventar-se para ti
e ri Francisco ri
Porque o sonho e o amor
Viram em ti uma flor.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Recomeçar


A espreitar a vida detrás das árvores.

Como se de grades de uma prisão se tratasse.

Às vezes parece que tudo nos está fora do alcance

Respirar fundo, dar tempo

Recomeçar mais uma vez!

Li algures que a coragem não está em tentar não cair, está em não ficar no chão.

É isso!!!!

Vou procurar as pedras necessárias para reconstruir outra vez a minha muralha.

Em tempos alguém me chamou ostra.

O curioso é que muitas vezes é quando ainda o conhecimento da vida é pouco o instinto de auto-protecção nos dá mecanismos de defesa. Mais tarde descuidamos essa protecção, porque achamos que já não precisamos e...

Tenho saudades dos tempos em que me sentia protegida pela concha.

Mas na falta da dita concha, levanta-se outra muralha.