sábado, 28 de fevereiro de 2015

A SERRA DA ISABEL E DO JOÃO

Serra da Estrela vista do Paúl em 5/2/2015

O frio


O João e a Isabel, eram da Serra, do cume, junto da estrela maior. Ele pastor, muito jovem, ela jovem e bonita. De longos cabelos loiros, pouco abaixo da cintura.

O pastor vinha à aldeia uma só vez, se podia. O resto era o rebanho, as frias noites de neve. O resto era Isabel, em sonho, na escuridão.

Isabel era o João, junto ao adormecer, com os carinhos tão longe, onde a neve era mais fria.
O pastor passou novembro e quase dezembro também. Em azáfama fazia, o pente de Isabel. Nele pôs o ar da serra, o perfume das giestas, as longas noites de ausência.
João, veio dos montes. Imitou um chilrear. Três vezes e sem resposta, sem um assomo à janela. Deixou-lhe, junto ao degrau, o pente do ar da serra.
Isabel foi ao João, imitou um chilrear, três vezes e sem resposta, nem um assomo à janela. Deixou-lhe junto ao degrau, um embrulho agasalhado.
No céu limpo havia lua, chegaram aos dois degraus, a Isabel teve o seu pente, perfumado de giesta, o João um gorro de oiro, dos cabelos de Isabel.

(este conto não é meu, contou-mo já não sei quem...)