segunda-feira, 27 de abril de 2009

Montanha Russa


A minha vida tem sido um constante desafio.
Uma Montanha cheia de vales e picos.
Vou dar-lhe um sentido
Um rumo a meu favor
Vou transformar o LIMÃO em Limonada.
E vou vender os ingressos da minha montanha russa

sábado, 25 de abril de 2009

Há viagens inesquecíveis


Faz hoje 14 anos que fiz a viagem que sempre ficará no meu coração. E para sempre a recordarei neste dia.

Não se apressem a interpertar o que me vai na alma.

Até poderá parecer que é uma recordação triste, mas não! e explico!

17 horas de 25 de Abril de 1995. Entrava eu naquela ambulância que tanto atemorizava. Coimbra - Covilhã, 4 horas de viagem pelas Pedras Lavradas. Coube a mim, para defesa emocional da minha mãe, que seguia no carro do meu irmão, acompanhar a ultima viagem do meu pai.

Apesar de já ter falecido, havia apenas hora e meia, conseguimos ainda trazê-lo numa ambulância, conseguimos evitar o terrível carro preto.

Ali estava o meu alicerce, ainda com os tubos de soro.... numa maca normal.

A minha mãe desfeita já no carro do meu irmão, já não chorava, mas se alguém quisesse conhecer o rosto da saudade, bastava olhar para ela. No do meu irmão, estava estampado a revolta de quem foi para medicina para fazer nascer e agora encarava a morte de quem o gerou.

Estavamos apenas os quatro!

Não me deitava há mais de 24 horas, quando na véspera os médicos do hospital da Covilhã numa ultima tentativa, decidiram a transferência para Coimbra, ninguém me arredou dele, nesse momento nem a existência dos meus filhos me impediu.

O Sr. condutor disse-me baixinho antes de entrar, acha que está bem? sabe que não pode ir a chorar, este transporte não se pode fazer... não precisa vir aqui, pode ir com a família.

Eu respondi:

-Há já algum tempo que não faço uma viagem sózinha com o meu pai e esta será a ultima oportunidade.

Ele olhou para mim e apenas foi capaz de me dizer que se precisasse de alguma coisa que estivesse à vontade. Agora imagino o que ele deve ter pensado da minha resposta.

Entrei e olhei para aquele meu amor de sempre. Eu tinha sido a ultima a falar com ele e a vê-lo vivo, já na fase de total entrega.

Correram a porta da ambulância e agora ali estava só eu e ele.

Ele tinha um sorriso no rosto e uma expressão tão serena que o meu coração se encheu de gratidão por a vida me ter dado a oportunidade de fazer com ele e só nós os dois aquele ultimo passeio.

Pensava, e acho que cheguei a sussurrar-lhe baixinho.

- Vê pai, foi consigo que fiz a minha primeira viagem, Figueira da Foz - Covilhã e tinha eu quinze dias, provavelmente pelo mesmo caminho. Hoje aqui vou a acompanhá-lo na sua ultima. Somos os companheiros de sempre.

Hoje, é apenas essa boa memória, a do companheiraço que ele sempre foi que me povoa o coração.

Tenho muitas saudades mas sinto que agora está sempre aqui.....


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Conto de ninguém


O dia amanheceu ensolarado, um típico dia de Primavera.
Ao longo do dia as nuvens começaram a juntar-se. Mais tarde, o cinza chumbo pintou o céu e já ao cair da noite chegou aquela brisa morna e abafada que antecede as trovoadas do "quase" Maio, logo de seguida, aquele cheiro doce a terra molhada.
O apelo de olhar a tempestade era-lhe irresistível.
Colou a cara às vidraças da janela, mas não lhe chegava. Abriu a janela e ficou ali com o pensamento a vaguear.
A trovoada de Primavera, agora estava mesmo em cima, e uns a seguir aos outros, os relâmpagos e respectivos trovões, faziam estremecer os vidros da janela a sorrir pensou:
- Ainda bem que não sou uma gaulesa da aldeia do Astérix, senão, acharia que o céu me iria cair na cabeça!!!!
Porque seria que o que tanto intimidava a maioria dos seres vivos lhe provocava aquela serenidade? Talvez, porque apesar de tudo, estava protegida no conforto da sua casa? A sua tia Maria Júlia disse-lhe um dia que nunca se tinha deixado orientalizar, apesar de ter vivido os seus últimos 40 anos num país oriental, mas que tinha aprendido com o povo oriental a não se amargurar com o que não dependia dela ou que ela não podia resolver.
As trovoadas não dependem de nós nem as conseguimos dominar, todos os seres vivos se limitam a procurar abrigo quando ela chega e ficam quietos à espera que ela passe, mais ou menos tranquilos, conforme a sua capacidade de saber que passa ou de se sentirem protegidos.
Procurar abrigo é instintivo, mas quantas vezes nos deliciamos, por exemplo, num banho de mar e de repente vem uma onda que nos enrola e atira contra a areia da praia, deixando-nos desorientados? Que fazemos? Tentamos levantar-nos e procuramos um ponto de orientação
Também assim são as tempestades da vida, as vagas da vida e o cheiro da saudade. E vamos deixar de viver? Não vamos sair nunca dos abrigos? Vamos deixar de sonhar? De ter ilusões e ideais?
Lembrou-se de Quixote
Ridículo aquele Quixote, aos olhos da sociedade.
Sim! Sim!
Mas quantas olham a feia Aldonza de Lorenzo, enciumadas, porque nunca foram a Dulcinea del Toboso, de ninguém, nem mesmo de um alucinado Quixote.
Quantos Chanso Pança se rojam aos pés de Quixotes lunáticos só porque a sua mediocridade não lhes dá a capacidade de largarem o burro e passarem para um cavalo, até mesmo que este seja uma pileca?
Além disso que mal haverá vestir de vez em quando a armadura do Quixote e ir por aí combater gigantes? São apenas velas de um moinho movidas a ventos? Talvez. O vento não se vê mas existe e ainda bem, porque se para uns quando enfola as velas e as fazem rodar e assim moerem o trigo que alimenta; para outros são gigantes que bradam contra ideais e motiva a bravura para os combaterem. Se para uns apenas o usam para dizer amo-te, a outros aquece-lhes a alma porque lho disse.
Não! Não iria nunca achar-se ridícula porque às vezes se permitia ser Quixote, conseguir encontrar o belo no meio do feio, descobrir a coragem para lutar contra gigantes e até de ouvir o vento dizer-lhe “amo-te”, mesmo que depois tivesse que assumir que o feio é feio, os gigantes são velas de moinhos e o vento não fala.
De repente tudo ficou quieto, começaram-se a ouvir os pios de passaritos que cantam à noite e apareceram umas estrelinhas aqui outras acolá tímidas mas cintilantes. Fechou a janela e foi-se aninhar no seu espaço vazio. Vazio, mas era o dela. Vazio, mas cheio de sentimentos e emoções que lhe decoravam a alma e essa não estava vazia!!!!! Achava que finalmente conseguia ficar serena perante o que não dependia dela ou não podia controlar.

A Eterna Companhia...



Era uma vez um homem que não gostava nada da sua sombra e era tão infeliz com os seus próprios passos que resolveu deixá-los para trás. Disse a si mesmo:
- Vou simplesmente fugir deles.
Então, levantou-se e começou a correr!
Mas toda a vez que dava um passo, a sombra seguia-o sem nenhum esforço. Voltou a dizer para si mesmo:
- Preciso correr mais depressa.
Então, correu, correu…
Correu cada vez mais rápido, até cair morto.
Se tivesse simplesmente procurado a sombra de uma árvore, ter-se-ia livrado da sua sombra. Mas ele não pensou nisso.

São poucos os que têm a ideia de simplesmente se sentarem à sombra de uma árvore. Preferem correr de si mesmos, por puro medo de se depararem com a própria sombra e de contemplar os lados menos agradáveis.
Loucos!...
Não percebem que quem corre da sua sombra nunca atinge a tranquilidade.

sábado, 11 de abril de 2009

Lembrando Amélia

Cata-d'obô
«Há um mês durante um serão com uma amiga de S.Tomé, e a propósito das dificuldades do país no âmbito da saúde, a conversa direccionou-se para o recurso ao uso de plantas medicionais para a cura dos «males do corpo e da alma» dos habitantes, com a ajuda da mestria dos terapeutas tradicionais (stlijons) e seus inúmeros conhecimentos ancetrais sobre estas plantas.
Lembrei-me de alguém que recontou a Lenda da Lagoa Amélia»
Tabernaemontana stenosypfon - Cata-d'obô
Colheita: Lagoa Amélia (S.Tomé e Príncipe)
Partes da planta utilizadas: Casca
Uso Tradicional: 1. Hipertensão arterial. 2. Protecção contra feitiçaria. 3. Tratamento de estados febris e de "calor por dentro"
Método de preparação e administração:
1. Como hipotensor pode macerar-se a casca em água ou preparar-se uma infusão, bebendo-se um copo por dia.
2. A casca colocada a macerar numa bebida alcoólica, bebendo-se para dar protecção contra feiticeiros.
3. Para tratamento de febres e de "calor por dentro" pode dar-se a beber uma preparação com a casca misturada com folha de pau-três (Allophyllus afriacanus) maceradas em água fria.
Corologia: Endémica de STP, distribuindo-se amplamente nas florestas de pluvisilvas de S.Tomé e Príncipe entre os 1000 e os 1800m de altitude.
Pesquisa bibliográfica:
Tal como a lenda da Lagoa Amélia...
Apenas foram encontradas referências relativas a espécies aparentadas, visto que se trata de uma espécie endémica, ainda não estudada.....