sábado, 22 de agosto de 2009

O SANGUE DOS SONHOS


A vida tem mais imaginação do que os nossos sonhos

Desmedidos, são sempre maiores que a razão consente e sempre menores do que as mãos são capazes.

Ainda assim, quando grandes sonhos são mortos é muito o sangue que corre,

A vida obriga-nos, tantas vezes e em tantas ocasiões, a sermos o que não somos, a fazermos o que não queremos, a dizermos o que não sentimos que, com tanta mentira, com tanta hipocrisia estudada, acabamos por não saber quem somos.

Quando faço a contabilidade dos dias e oiço o sussurro do desânimo, seja apenas do cansaço e da impotência de afinar pelo que sinto e não vivo, sossego-me encostada às palavras que uma vez li

«Para alcançar o que não se conhece, é preciso passar pelo que não se conhece;

para alcançar o que não se possui, é preciso passar pelo que não se possui;

para alcançar o que não se é, é preciso passar pelo que não se é»

É uma daquelas coisas que só partilhamos com quem sabemos que nos ouve, entende ou concorda

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Em busca de coisas bonitas


Sentada no velho forte a olhar o mar, pensava!

Tão difícil parece a alegria neste mundo! Mas porquê?
Há coisas que nos rodeiam tão bonitas!!!!!!!

Bonita é a casa habitada, o café com leite, a manteiga no pão, o beijo do «até logo».

Bonito é transportar pedras de poder para edificar escadarias de serviço.

Bonito o gato que te adopta como mãe, o aninhar duma criança num colo, a espera pelo filho que ainda não chegou.

Bonito é respirar, ouvir, andar, ver um cego sorrir.

Bonita é a subida que dói, é ousar, relaxar os músculos no alto da montanha, depois de ter trepado até lá cima.

Bonito é saber que existe em nós uma força por descobrir, é ver o espanto das tempestades ao encontrarem-nos refeitos; é escorregar e rir depois da queda.

Bonita a magia da linguagem, a força da imaginação, o homem em Marte, as carícias, o amor que se não consome e é capaz de sofrimento.

Bonita a indignação que pede justiça, o diálogo de verdades, o estreitar das mãos.

Bonita a amizade, as marés da memória, o reconhecer dum rosto através das coisas.

Bonita a carta ou mensagem que chega para dizer

«ESTOU»