
sábado, 24 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
carta a um passado

Tinha de te responder
- - - - (que interessa o nome?)
Li, vi e ouvi
O que posso responder ao fim de tantos anos?
Certamente o mais sensato seria dizer que tens razão e não dizer mais nada...
Mas, quando a meio da música, que me enviaste, senti os olhos a ficarem meios enevoados, parei e recuei no tempo. Curiosamente de uma forma egoísta, pensei só em mim.
Concluí:
1º Nunca tive a noção exacta de como na altura era bonita como dizes, sempre me achei vulgar e até para o gordinho e meio feiosa
2º Até aos meus 30 anos, carreguei uma culpa inexplicável, difícil de outro alguém a entender e sempre achei que era infeliz porque tinha “posto o pé na poça” e tinha de pagar por isso
3º O ---- ----- (também não interessa o nome), que conheceste, gostava de mim e talvez ainda goste, mas da forma mais doentia e egoísta que alguém pode amar. Ele sabia que eu era demais para ele e com medo de me perder não só me diminuía publicamente quando podia, mas também, tentou sempre fazer com que eu pensasse que eu não merecia mais
4º Este mau sentimento foi perfeitamente abafado e suportável pelas minhas três maternidades que me preencheram e continuam a preencher todo o desamor que sentia por mim mesma (na altura)
5º Azar dos Távoras (o tal ---- -----), apesar de tudo, e sei que perfeita não sou, mas, Deus dotou-me de alguma inteligência
6º A partir do momento em que achei que merecia mais, fui construindo aos poucos as bases do meu futuro onde apenas eu e os meus filhos cabíamos, tinha descoberto à minha custa que não podia depender de forma nenhuma (emocional, sentimental, financeiramente. etc.etc.) de outro ou outros
7º Então subi a minha escada degrau a degrau, silenciosamente e sem deixar que dessem conta, para que não me atrapalhassem os planos que desenhei para mim mesma
8º Agora já para o “maduro”, encontrei a serenidade, a solidez mental, a noção dos meus defeitos mas também das minhas qualidades
9º Isso faz com que..... Goste muito de mim mesma...... Não me amargure com o passado, porque não o posso alterar, do passado, apenas me lembro das coisas boas e tenho saudades que me fazem sorrir.... Preocupo-me com o futuro q.b., melhor, tento preparar o futuro...... MAS ESPECIALMENTE quero viver e vivo o "Agora" da forma melhor que puder e sempre a tentar não magoar ninguém, porque sei o que é ser muito magoada.
10º Adoro rir, sorrir, desafinar no duche, fazer festinhas no gato, no cão........ Dar beijinhos a tudo e todos, como quando me conheceste
11ºAdoro e tenho orgulho de ser mulher
12º Tínhamos tudo para termos sido felizes!!!!! Tens a certeza? Eu não!!!
13º Que gostavas muito de mim!!!! Na altura não soubeste dizer-me
14º Que gostava de ti???? Acho que sim, talvez como a “cinderela” da música do Carlos Paião (aliás, médico como tu…. Será defeito dos médicos lembrar as primeiras namoradas ao fim de quase 40 anos?)
15º Hoje sei que gosto tanto de ti como quando tinha 14 anos
E FINALMENTE sei que sou uma mulher de 52 anos “BOA”, BONITA, INTELIGENTE mas que não preciso de o publicitar, basta-me ser só eu a saber!!!!
Assim sendo!!!!!!!
Meu primeiro amor
Vamos às Maurícias um dia destes e vamos dançar juntos a música que me mandaste, porque não?
Beijo desta tua tonta primeira paixão (tonta mas queridita)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
OS TEUS ANOS

OS TEUS ANOS
Era o dia dos teus anos
Tinhas nos lábios sorrisos longos
Advinhavam-se os planos
Dos teus sonhos.
Veio então o bolo e as velas
Para que tu as apagasses
Fechei a luz das janelas
Para que as iluminasses
Acendeste-as encantado.
E não te deixei soprar
Que os anos do meu amado
São todos para atear
Olhaste então para mim
E eu li nos olhos teus
Que me dizias que sim
Que os teus anos eram meus
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O caminho do vento

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Retrospectiva

Este ano que passou foi um ano apaixonante para mim, senti finalmente que a minha liberdade não era só no papel, eu era mesmo dona dos meus sentidos, sentimentos, acções e que me podia apaixonar, chorar, fazer o pino que ninguém tinha mesmo nada a ver com isso.
Apaixonei-me, senti que o meu coração estava vivo e desenterrado da escuridão da prisão em que vivia.
Apaixonei-me, senti vibrar todo o meu ser quando um sinal era emitido e descobri que o meu coração estava mais vivo e palpitante que um tambor.
Apaixonei-me e ... sofri quando percebi que o que me fazia vibrar eras tu e não podias ser, bolas, onde te foste meter coração ...
Ai sim, encontrei um coração que também palpitava como o meu, que também se entregava como eu, foi aí que eu percebi que o meu estava apaixonado e que precisava de um colete de forças para o segurar, o teu não sei, nunca me disseste o que lhe fizeste!
Com alguma dificuldade lá encontrei um colete e o segurei para não cair ,mas ele palpita sempre que te falo e palpitou mais hoje que te tive perto de mim. Bolas como estás cada vez mais bonito e charmoso! Mas não sofro, já não, pois os corações não tem dono que não sejamos nós próprios, são pássaros livres e assim devem permanecer.
O meu tem asas que já lhas vi, são brancas como as dos anjos e ele aí está pronto para voar, cada batedela no voo faz outros como ele, olhar, tantos eles são os que já perceberam que são livres para voar e amar.
Quando me cruzo com corações aprisionados vejo logo nos seus olhos. São olhares tristes de quem nem sonha em voar!
O POEMA QUE NÃO LESTE
o mundo não se afogou
com as lágrimas que derramei
nem a poesia morreu
quando degolei o poema
Agora
escondo-me entre as letras
antes de qualquer ponto final
num refugio desprendido
para assim poder ser
o apêndice do poema degolado
Porque
do poema que não leste
ficaram tatuadas na minha mão
letras de sangue
com elas pintei os lábios
Agora
escondida entre as palavras
com as rimas desenho sorrisos
e com o ponto final faço recticências
Ana (Dez.08)
domingo, 4 de janeiro de 2009
OLHO O NOSSO MAR
Olho a nossa praia, olho profundamente, continuo a olhar e sinto que tudo foi um pouco mais forte do que aquilo que não disse.
Na imensidão, no longo mar, o céu afunilou,salpicando a lua e desenhando na água a mensagem que deixei para ti.
E agora junto ao mar,aqui estou ...confio-lhe os meus segredos transformados em sonhos.
E são os meus sonhos que me tornam aquilo que sou…
De todo o lado ou de lado nenhum, fico sem ficar, escrevo sem escrever, penso sem pensar e vou indo sem ir porque nunca hei-de chegar...
Vou… Apenas fica a saudade do que não vivi
Não sou daqui, apenas celebro a passagem que é breve, essa que a tua consciência ainda não absorveu.
Sabes,passeamos no tempo e o que resta é tão pouco, os sabores apenas sustentam fatias de permanência.
Sinto-me entardecer no ladeamento dos sentidos,e hoje ao olhar este mar sei que mexeste no destino ,me mudaste a sorte,mas o mar azul ainda toma a minha alma e ainda continua a guardar os meus segredos.
E as ondas ao rebentarem será que sentem?
E que importa sentir se o sentir já não faz sentido!
Olha, eu já me esqueci de dizer essas coisas, porque não adianta sentir sem fazer sentido...
Sei que um dia quando me despedir do sol e do vento levarei os meus segredos,aqueles que falam de ti e que um dia desenhei neste mesmo mar.A sorte é que quem já morreu não sabe dizer o que ficou como segredo, esses segredos pertencem aos deuses e ao mar que os sabe tão bem guardar...
E agora depois da hora se ter tornado outra hora ,vou voltar para casa e deixar que as ondas deste mar rebolem nos segredos que lhe confiei...
Ana