OLHO O NOSSO MAR
Olho a nossa praia, olho profundamente, continuo a olhar e sinto que tudo foi um pouco mais forte do que aquilo que não disse.
Na imensidão, no longo mar, o céu afunilou,salpicando a lua e desenhando na água a mensagem que deixei para ti.
E agora junto ao mar,aqui estou ...confio-lhe os meus segredos transformados em sonhos.
E são os meus sonhos que me tornam aquilo que sou…
De todo o lado ou de lado nenhum, fico sem ficar, escrevo sem escrever, penso sem pensar e vou indo sem ir porque nunca hei-de chegar...
Vou… Apenas fica a saudade do que não vivi
Não sou daqui, apenas celebro a passagem que é breve, essa que a tua consciência ainda não absorveu.
Sabes,passeamos no tempo e o que resta é tão pouco, os sabores apenas sustentam fatias de permanência.
Sinto-me entardecer no ladeamento dos sentidos,e hoje ao olhar este mar sei que mexeste no destino ,me mudaste a sorte,mas o mar azul ainda toma a minha alma e ainda continua a guardar os meus segredos.
E as ondas ao rebentarem será que sentem?
E que importa sentir se o sentir já não faz sentido!
Olha, eu já me esqueci de dizer essas coisas, porque não adianta sentir sem fazer sentido...
Sei que um dia quando me despedir do sol e do vento levarei os meus segredos,aqueles que falam de ti e que um dia desenhei neste mesmo mar.A sorte é que quem já morreu não sabe dizer o que ficou como segredo, esses segredos pertencem aos deuses e ao mar que os sabe tão bem guardar...
E agora depois da hora se ter tornado outra hora ,vou voltar para casa e deixar que as ondas deste mar rebolem nos segredos que lhe confiei...
Ana
domingo, 4 de janeiro de 2009
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