terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Segredo da amizade



O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry



Indispensável no nosso espaço de amizade … por ser o seu hino!

Transcrevo o episódio da raposa, excerto que nos fala do verdadeiro significado desta palavra.



“-Quem és tu? - Perguntou a principezinho - És bem linda…

- Sou uma raposa - disse a raposa.

-Vem brincar comigo - disse o principezinho - Estou tão triste…

-Não posso brincar contigo - disse a raposa - Ainda ninguém me cativou.



- O que quer dizer «cativar»?



- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa - Significa «criar laços…».

- Criar laços?


- Isso mesmo - disse a raposa - Para mim não passas ainda de um rapazinho muito parecido com cem mil rapazinhos. E não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Para ti sou apenas uma raposa semelhante a cem mil raposas. Mas, se me cativares, teremos necessidade um do outro. Para mim serás único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

- Começo a compreender - disse o principezinho - Há uma flor… creio que ela me cativou…


… se me cativares a minha vida ficará como que iluminada pelo sol. Conhecerei um ruído de passos que será diferente de todos os outros. Os outros passos fazem-me meter debaixo da terra. Os teus, chamar-me-ão para fora da toca como uma música. E além disso, olha! Vês, além, os campos de trigo? Não me alimento de pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado! O trigo, que é dourado, far-me-á lembrar de ti. E amarei o som do vento no trigo…

- Só se conhecem as coisas que se cativam - disse a raposa - Os homens já não têm tempo para conhecer o que quer que seja… Se queres ter um amigo, cativa-me!

- O que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.

- É necessário ser paciente - respondeu a raposa. Sentas-te primeiro um pouco longe de mim, assim, na erva. Eu olhar-te-ei pelo canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é fonte de mal-entendidos…

Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da partida:

- Ah! - disse a raposa… Vou chorar.

- A culpa é tua - disse o principezinho, eu não queria que te acontecesse nada de mal, mas quiseste que te cativasse…

- É certo - disse a raposa.

- Mas vais chorar! - disse o principezinho.

- Vou - disse a raposa.

- Então não ganhas nada com isso!

- Ganho - disse a raposa - por causa da cor do trigo.

Depois acrescentou:

- Vais olhar outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Voltarás para me dizer adeus e eu faço-te presente de um segredo.

O principezinho foi ver outra vez as rosas.

- Não são de modo nenhum parecidas com a minha rosa, ainda não são nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como era a minha raposa. Era uma raposa parecida com cem mil outras. Mas fiz dela minha amiga e agora ela é única no mundo.

E voltou para junto da raposa:

- Adeus, disse…

- Adeus - disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se pode ver bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho de modo a poder recordar-se.

- É o tempo que perdeste com a tua rosa que torna a tua rosa tão importante.

Os homens esqueceram esta verdade - disse a raposa - Mas tu não deves esquecer-te.

Tornaste-te para sempre responsável por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa…- Sou o responsável pela minha rosa…


- repetiu o principezinho, para se recordar.”

2 comentários:

Romeiro disse...

Muito bem Fernanda! Nem esperávamos outra coisa!

Anaquariana disse...

"Depois, à noite, pões-te a olhar para as estrelas. A minha é pequenina demais para se ver daqui. Mas é melhor assim, para ti, a minha estrela vai ser uma qualquer. Assim, gostarás de olhar para as estrelas todas..."


"O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração..."

Bela escolha Fernanda, muita sensibilidade...
Beijinho grande