
"Na extensa planície africana, a vida é muito dolorosa e cruel. Mas é ali que mais valor a vida tem!..."
“...Naranja qui num créce, é tigelina...”
Era assim que o “Zenite Relógio” (nome dado pela mãe, por achar coisa importante, que só branco tinha), cá p’ra mim ele era mais “Rolex de Ouro” mas isso ela não sabia.
Como ia dizendo, era assim que o meu amigo justificava o tamanho das laranjas que, nesse ano nasceram mirradinhas, tão mirradinhas, que até dava dó só de olhar p’ra elas.
“Zenite Relógio” era um menino de cinco anos, inteligente, sensível, aprendia tudo sozinho, começava a descobrir o mundo e para ele tudo tinha uma explicação, mesmo o tamanho das laranjas, era um descobridor das coisas...
Para mim, na idade dele, o mundo era do tamanho do meu quintal, os sonhos também...
Mais tarde, percebi que aquele tempo em que tudo faz sentido, tudo é grande e para sempre, se esgota rapidamente.
E como era grande o meu quintal!...
Para ele, o mundo era a perder de vista, como a planície africana onde vivia, hoje ainda vive, deve ter percebido que, apesar de muitas vezes difícil e cruel é ali que a vida faz mais sentido.
Com ele voltei a descobrir a ternura das coisas, descobri que a vida sem ternura não é lá grande coisa e é na saudade que continuo criança, às vezes sou feliz, às vezes não...
Hoje, quando como “tigelinas” lembro-me sempre dele, mastigo cada gomo devagar, lambuzo-me de prazer e até me esqueço que são laranjas mirradinhas...
Neste mundo virtual, seremos os sete gomos duma laranja, que se quer grande, doce e sumarenta e que cada gomo nos delicie, nos lambuze e essencialmente nos dê muito prazer mastigar...
E se não for laranja, seja “tigelina”, desde que sumarenta e doce...
AHA
3 comentários:
Ana, é um gosto soborear já este gomo doce que me ofereceste, o cheiro da tua amizade já ficou a perfumar este espaço. Obrigada e um sorriso lambuzado até às orelhas :)
Que ternura Ana. Beijinhos
Ana: Bom ter-te de volta! Bom conto, à tua medida!
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