segunda-feira, 1 de setembro de 2008

As Pontes de Madison

"Sorte de quem já teve a sua Ponte de Madison”


Dedicado ao Nuno


Uma velha caixa, dentro um segredo guardado tantos anos como a eternidade.

Podiam os filhos prever esta herança deixada pela sua mãe Francesca ... para Michael e Carolyn era simplesmente insuportável a ideia de dispersar as suas cinzas no rio e era o que acabariam por fazer, emocionados.

No diário encontram uma revelação – sentimentos, emoções, paixão - para eles tão intensos como impossíveis de terem sido vividos pela mãe.
Ficam a saber da breve relação – quatro dias! – de Francesca com Robert, ocorrida em 1965.
Ficaram a saber que a mãe, uma mulher madura, esteve pronta para viver e viveu, pela última vez, uma grande paixão. Ficaram a saber como ela sacrificou o seu amor pela família.





Eles revivem todo o romance através do seu diário. As atmosferas de iluminação à luz de velas, com um bom copo de vinho e uma boa música. Todas as cenas, consequência umas das outras, são encadeadas, com naturalidade e suavidade. Em breves momentos, sem efusões nem histeria, tudo é dito da maneira mais simples e mais evidente possível. O amor, a ternura!

O instante em que os dois amantes se vêem pela última vez marca quem leu, viu ou imaginou aquela cena ... ela aperta a maçaneta do carro, prestes a sair ... e fica imóvel! Os dois carros, o de Robert e o que o marido dirige, tomarão para sempre direcções opostas.

Robert nunca mais teria uma relação tão intensa como a que acabou de viver com Francesca.
A partir de então, para além do tempo e das distâncias, eles estariam unidos por uma pequena cruz, lembranças cada vez mais amareladas, antes que – para sempre – as suas cinzas se misturassem.

Os filhos tomam conhecimento que Robert teria morrido e deixado para a mãe um álbum de fotografias, chamado “Quatro Dias”, e que as suas cinzas haviam sido lançadas da ponte Roseman. Compreendem então os motivo do desejo da sua mãe e lançam da ponte ao vento as suas cinzas.

Quer queiramos, quer não, todos pensamos em nós próprios, nas nossas próprias relações amorosas. Todo mundo, num determinado momento da vida, viveu – ou sonhou viver – uma grande história de amor.

Cada um de nós tem um pouco de Robert, um pouco de Francesca.

E não será isso mesmo que todos procuramos? O que nos move são as emoções!

"Sorte de quem já teve a sua Ponte de Madison”



7 comentários:

rosario disse...

Fernanda
Lembras um filme belíssimo
Há uma frase deste filme que me tocou especialmente
« Não quero precisar de ti, porque sei que não te posso ter...»
Não é fácil gerir um sentimento tão forte como é o amor, debaixo deste lema
É dura, mas é possível fazer com que ela tenha sentido e sem drama. Basta acharmos que somos uns privegiados porque amámos e fomos amados mesmo que seja por apenas algum tempo.
É tão bom termos consciência das nossas Pontes de Madison e vivê-las.
Beijinhos amiga :)

Anaquariana disse...

Ficaram durante bastante tempo abraçados. E ele murmurou-lhe... "Só tenho uma coisa a dizer, apenas uma, não voltarei a dizê-la a mais ninguém e peço-te que te lembres dela. Num universo de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma vez e nunca mais, não importa quantas vidas se vivam."
Emoções do grande amor de uma vida. Com sorte, mais cedo ou mais tarde, um amor destes acontece na vida de cada um. Para Robert e Francesca foi tarde. Mas foi glorioso!

Eu sei...

Anónimo disse...

Vá meninas, vamos aprofundar as coisas.
1ª Pergunta: O que é que a atraíu nele e lhe fez despertar aquele amor eterno e efémero ao mesmo tempo?
Eu respondo que é para me poderem excomungar: A liberdade dele, a forma como podia estar em qualquer horizonte. Ela, não propriamente feita para um casamento tão campestre, viu nele aquilo que realmente sempre quiz e nunca soube...
Ele, de resto fotógrafo, soube percebê-la e conduziu-a durante todo o filme.
Que filme seria se tivessem casado e sido felizes para a eternidade? Um filme mau!
Rosário, não deixas de me surpreender, colocaste-te no registo certo...
Romeiro.

Anaquariana disse...

...E porque nunca serás meu/minha, ter-te-ei para sempre!...

Um amor assim vive de si mesmo.
Sem amarras.
Tanto mais velho, quanto mais amor!...

Tens toda a razão Romeiro, seria provávelmente um filme mau.

Nux@ disse...

O que é proíbido é mais desejado! Será por isso que esses amores são mais intensos e as emoções mais vibrantes? Não deixam nunca de ser dofredores quem por eles passa por isso, cada «ponte» tem no seu leito um rio ou um mar de dor ...

Nux@ disse...

Rosário:
Andei a investigar, sim que eu também gosto de fazer dessas coisas, e encontrei o conteúdo da mesagem deixada na ponte, do lado esquerdo de quem entra, dizia assim:

«Se quiseres jantar outra vez enquanto "as mariposas continuam a voar", vem esta noite quando tiveres acabado o trabalho. À hora que te convier.»

ANA MARIA CARIDADE disse...

Fernanda,
viver é desenhar sem borracha e quando se vive um grande amor o desenho fica para sempre...
Adorei o teu texto.