
Pois.
É o mesmo vento que virou a barca e que levou raso o chão.
Que partiu o carvalho mas só afagou a erva.
É o vento que levantou a saia a uma mulher, e a outra, e a outra... Que as fez rir e não fez mais nada.
Que deixou suspenso um murmúrio: quiz dizer tudo mas não disse nada
É o vento sem norte e sem sorte.
Que começa aqui e nunca chega a lado nenhum. Teima em passar. Ou não fosse vento.
E não é um só.
São ventos.
Quando o sabemos, já não é o mesmo!
Quando é uma brisa - aquele alívio em dias de calor - já foi um vórtice.
E vai ser uma espera para a vela no mar...
Só nos diz, em sussurro, aquilo que queremos ouvir.Quando queremos que repita - não diz nada!
Só se dá bem no espaço.
Faz das nuvens algodão, acolhe a águia e a gaivota,mas não se agarra.
Esfuma-se em ar!
Isto para concluir que a voz que disse "amo-te" no conto de Tchekov, não era a voz do vento. Era de um russo sujo e a soprar a vodka.
O vento, esse conheço eu bem.
Nunca diz nada a ninguém.
NG - 12/07/2004
7 comentários:
Pois. Lembro-me foi por 2004.! Está meio caótico mas agora que leio, parece que não fui eu que escrevi.
Nelson
E o vento, sem saber o que vai encontrar, ruma a norte, guardando uma brisa inquieta no peito. Quando chega, deita o corpo na linha do horizonte e desprende o aroma do desejo. Quando a noite chega, corre um silêncio pela erva fora.
O vento não tem filosofia, tem sentidos e o único sentido íntimo das coisas, é elas não terem sentido nenhum!...
A propósito...
Não se pode mudar o que as pessoas são, sem destruir o que foram. Mudar o antes é mudar o depois, ou seja, o agora. E isso pode significar abdicar talvez das melhores metas alcançadas no nosso processo de desenvolvimento. É a inquietação lançada por esta dúvida que fica a retinir naquela parte do nosso cérebro que ainda sonha.
Gostei muito
Um abraço
Ana, desculpa discordar mas o que somos agora é fruto do nosso crescimento interior, nunca o poderemos destruir, faz parte de nós. As nossas mudanças são continuas, não notas isso?
Eu sei que o vento é meu amigo ... é bom senti-lo e saber que podemos contar com ele para nos dizer o que nós queremos ouvir!
Nelson, meu querido, se achas o teu texto meio caótico, o que alterarias? Não o queres reescrever?
Beijinhos
Minha querida Nuxa, mudar o antes, é mudar o depois. Como isso é, para além de impossível, duvidoso e inquietante, é esta inquietação lançada pela dúvida, que fica a retinir naquela parte do nosso cérebro que ainda sonha.
É o sonho, amiga, sempre o sonho, a querer substituir a realidade.
Ana e Nux@
Aqui não se trata de mudar nada, bem pelo contrário.... quando se consegue viver bem (ou o melher que se puder)o "agora" nada mais interessa, porque, isso ninguém nos tira e são esses momentos que ficarão para sempre e até nisto o sonho não entra, são verdades vividas apenas....
O "amanhã"? quem o sabe? como diz um amigo de sempre e cito «As verdades de hoje, poderão não ser as de amanhã.....»
Beijinhos às duas e um especial ao autor.... ele sabe do que falo!!!!
Tens razão miúda :)) aposto como citaste a mesma fonte NG ... grande é a inspiração e não só!
Por isso é mesmo de aproveitar todos os bons momentes do "agora", o "depois" logo se vê.
Beijos quentinhos paraostrês eheh
com muito carinho
Parabéns às duas, pela capacidade que têm em saber viver o presente dissociado do passado. Elevo a taça e brindo a isso. Eu não tenho essa sabedoria. Eu sou o que fui, com todas as dúvidas e inquietações que isso acarreta. Cheguei ao que hoje sou, tentando viver, sempre, da melhor maneira possível, muitas vezes na medida do impossível!
A propósito...
A verdade é atemporal. Não há relação entre a verdade e o tempo. A nossa maneira de ser/viver, temporal, é que a descobre e pensa, conhece ou ignora, rejeita ou esquece. A verdade esquiva-se sempre. Nunca a encontramos por completo, mas é forçoso procurá-la!...
'O que hoje é verdade, amanhã pode não ser...'
Neste ponto, concordo com o Nelson.
Depende sempre do nosso ponto de vista.
Envolvamos a vida num grande abraço e brindemos, para que ela nos seja leve!...
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