domingo, 12 de setembro de 2010

Gota d'água

Esta gota, gota d' água, que caiu neste papel, pôs-me mesmo, agora mesmo, a pensar no seu caminho e no tempo que, por certo, terá já visto passar.
A gota que num repente, caiu - mesmo - no papel, mesmo simples mesmo gota, não é gota, é todo o tempo, guardado aqui : neste instante!
Viu Tróia, viu cavaleiros, viu os Moinhos - Quixote! Foi a Senhora do Lago, foi Morgaine, Lancelote, e, muito mais tarde, talvez, por ser pura a gota d' água, tenha sido, mesmo em retrato, uma lágrima de Gray.
E foi Sonata ao Luar, em pingos de melodia! Esta gota, gota d' água, que me caiu no papel, foi pérola de não deixar, num poema de Brel.
Foi Hipátia - Alexandria! Descartes, Newton, Babbage. E foi o número de ouro, dos gregos e Fibonacci.
Esta gota, gota d' água que me caiu no papel, de tão simples, tão instante ... foi só o tempo a passar.
Romeiro, Setembro, 2010

1 comentário:

Anaquariana disse...

O efeito do tempo e a inconstância de tudo, nesta gota d'água.
Finito e infinito num combate de gigantes e mesmo assim, neste instante, há mais ternura em ti...
Gostei, gosto sempre.
Um abraço