quinta-feira, 9 de julho de 2009

À espera de uma verdade....

Observas-te ao espelho
Desabitam-se as tuas feições
Sentes-te no fundo fundo onde nenhum braço chega
Acenas aos amigos, como náufrago a barcos indiferentes
Mas sabes bem que eles têm a sua rota e os seus horários
E aí estás tu, barata de costas, a esprenear, sem apoios
Choras para dentro humidades de gruta
Escondes a amargura em nevoeiros secretos
Não importa a indiferença dos outros
Haverá sempre quem goste e não goste de ti
Essencial é que nunca te desprezes

Diz-se que há duzentos milhões de doentes no mundo
Um dia farás parte desse número
É bom que comeces já a pensar que a doença ilumina o mistério do nosso futuro
Recorda-nos que somos daqui mas que não somos para aqui

A doença humilha-nos, situa-nos na verdade que somos e deixa-nos entregues nas mãos de Deus
Porque é que, tendo saúde teremos de ser altivos e opressores, quando iremos acabar como doentes, que pedem piedade e inspiram compaixão?
Porquê tanto egoísmo e orgulho, quando acabaremos entregues a quem caridosamente nos apoie e ajude?

Então, porque não reconhecemos agora e já cada momento de amor e felicidade?

Será essa recordação e vivência o único suporte da vida!

2 comentários:

Margarida Piloto Garcia disse...

Este texto deixa-nos uma marca a ferro e fogo.

Anaquariana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.