sábado, 25 de abril de 2009

Há viagens inesquecíveis


Faz hoje 14 anos que fiz a viagem que sempre ficará no meu coração. E para sempre a recordarei neste dia.

Não se apressem a interpertar o que me vai na alma.

Até poderá parecer que é uma recordação triste, mas não! e explico!

17 horas de 25 de Abril de 1995. Entrava eu naquela ambulância que tanto atemorizava. Coimbra - Covilhã, 4 horas de viagem pelas Pedras Lavradas. Coube a mim, para defesa emocional da minha mãe, que seguia no carro do meu irmão, acompanhar a ultima viagem do meu pai.

Apesar de já ter falecido, havia apenas hora e meia, conseguimos ainda trazê-lo numa ambulância, conseguimos evitar o terrível carro preto.

Ali estava o meu alicerce, ainda com os tubos de soro.... numa maca normal.

A minha mãe desfeita já no carro do meu irmão, já não chorava, mas se alguém quisesse conhecer o rosto da saudade, bastava olhar para ela. No do meu irmão, estava estampado a revolta de quem foi para medicina para fazer nascer e agora encarava a morte de quem o gerou.

Estavamos apenas os quatro!

Não me deitava há mais de 24 horas, quando na véspera os médicos do hospital da Covilhã numa ultima tentativa, decidiram a transferência para Coimbra, ninguém me arredou dele, nesse momento nem a existência dos meus filhos me impediu.

O Sr. condutor disse-me baixinho antes de entrar, acha que está bem? sabe que não pode ir a chorar, este transporte não se pode fazer... não precisa vir aqui, pode ir com a família.

Eu respondi:

-Há já algum tempo que não faço uma viagem sózinha com o meu pai e esta será a ultima oportunidade.

Ele olhou para mim e apenas foi capaz de me dizer que se precisasse de alguma coisa que estivesse à vontade. Agora imagino o que ele deve ter pensado da minha resposta.

Entrei e olhei para aquele meu amor de sempre. Eu tinha sido a ultima a falar com ele e a vê-lo vivo, já na fase de total entrega.

Correram a porta da ambulância e agora ali estava só eu e ele.

Ele tinha um sorriso no rosto e uma expressão tão serena que o meu coração se encheu de gratidão por a vida me ter dado a oportunidade de fazer com ele e só nós os dois aquele ultimo passeio.

Pensava, e acho que cheguei a sussurrar-lhe baixinho.

- Vê pai, foi consigo que fiz a minha primeira viagem, Figueira da Foz - Covilhã e tinha eu quinze dias, provavelmente pelo mesmo caminho. Hoje aqui vou a acompanhá-lo na sua ultima. Somos os companheiros de sempre.

Hoje, é apenas essa boa memória, a do companheiraço que ele sempre foi que me povoa o coração.

Tenho muitas saudades mas sinto que agora está sempre aqui.....


2 comentários:

Nux@ disse...

Estou toda arrepiada ....

Como eu sei o que é a saudade de quem 'está sempre aqui'.

Beijos amiguinha

Anónimo disse...

e ele chamava-te "Rosarito", que eu sei.
Romeiro