As botas
Cansou-se-me a alma, já nem sinto do vento, as histórias sem tempo. Os olhos toldaram-se-me das nuvens baixas, que não auguram nem tempestade nem bonança, estão apenas lá, porque se me cansou a alma.
As botas novas, que sonharam caminhadas, jazem ali, penduradas no prego das dúvidas, da inércia, da lógica, sei lá, do medo dos caminhos que são tantos!
São boas as botas, de pele grossa e firme, feitas para trepar os cumes de neve limpa e pisar o deserto de areia e infinitos. Mas estão lá. Novas, penduradas como um espelho sem imagem, porque se me toldaram os olhos.
E eu que sei que a vida não é o que se faz… é o que se vê e o que se sente, assomo à janela mas não vejo, nem sinto as histórias do vento, porque se me toldaram os olhos, porque se me cansou a alma.
Romeiro
1 comentário:
Tu sorriste com aquele sorriso meio crítico, meio charmoso a dizer-me que reparasse melhor, olhasse melhor.
Gelei de emoção, afinal eu sempre lá estivera! Eu fui sempre a tela do teu quadro.
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