quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Carta circular

Queria dizer-lhe, com os meus respeitos, partilhando consigo todo o desencanto que será seu, após a leitura do que aqui lhe escrevo, porque por certo após isto, não mais verá, sequer nas madrugadas, o perfume das flores que se abrem na expectativa dos primeiros raios de sol, o seguinte:

Os homens morreram! Todos!


Acabaram-se os jantares naquele restaurante com vista para o mar em que se ouvia o marulhar das ondas, no compasso da música ténue do piano. Não mais o cavalheiro que a encantou, nem outro qualquer – obviamente – lhe aconchegará a cadeira de palhinha no seu sentar à mesa. Para seu conforto e, para que o mundo veja!


Nunca mais surpreenderá o ar ausente do dito, perdido no movimento dos seus lábios e no cetim da pele junto ao colar que, honestamente, lhe fica muito bem junto à simplicidade pensada das jóias que Vª Exa. usa. Nunca mais lhe surpreenderá esse ar ausente, porque como digo : os homens morreram! Todos!

Aquele gesto de acariciar, com um só dedo, que ele lhe faz muito ao de leve, quase sem tocar, pela testa, seguindo a sinuosidade do nariz, desenhando os lábios numa ternura quase indecente. Que após o queixo, vai descendo para a febre d’entre-os-seios e lhe provoca aquele arrepio num suspiro? Esqueça! Ou melhor, guarde na memória! Nunca mais o terá porque os homens morreram. Todos!

E aquele olhar brilhante com que ele irradia o seu corpo, alheio a tudo o que não seja os seios, a curva suave do seu colo e a sugestão do sexo naquelas calças justas que escolheu demoradamente pensando na maravilha de as despir? Nada, acabou-se! D’ora em diante poderá ser muito menos criteriosa. Vista qualquer coisa. E não vá pelas amigas, elas querem ser belas no singular.

E o sossegar, ao fim da tarde de praia, a olharem os dois a dança das ondas e o ciciar da espuma? Com as suas costas a sentirem o peito dele, e os beijos ocasionais no pescoço, na fímbria do cabelo? Nada! Foram-se. Já nem lhe digo porquê.

Pois minha amiga, é com todo o pesar que lhe deixo estes apontamentos, do muito que mais haveria. Eu próprio me fico por aqui porque…. Por isso mesmo, os homens morreram todos!

1 comentário:

Nux@ disse...

Morreram todos ... não!
Sobrou um, aquele que sem gestos nos encanta, aquele que sem tocar nos beija, aquele que pensei que estivesse morto mas ... não!
TU, Romeiro, a ti um obrigada, adorei este presente de início e ano.

A todos os que pretencem a este circulo vos desejo uma vida saudável e prospera não hoje, nem este ano, mas sempre.

BEIJOS

Nuxa